Soterrado, homem sobrevive com ajuda de amigo em Juiz de Fora


“Vou morrer, vou morrer. Só pensava nisso”, lembra.
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“Meu amigo cavou com a mão, tirou uma pedra. Eu consegui ver um buraco, luz e respirar", diz.
O amigo é Luiz Otávio Souza, também morador da região, que passou a madrugada ajudando no resgate dos vizinhos. Isso, mesmo com chuva forte e o risco de novos deslizamentos.
“Estava tudo escuro. Só conseguia enxergar com lanterna. Chuva em cima, mas mantendo o trabalho, porque com vidas não se brinca", diz.
A mulher e o filho de Deivid também foram retirados dos escombros com a ajuda dos moradores do bairro.
Enquanto ajudava a salvar os vizinhos, Luiz Otávio enfrentava uma angústia pessoal. Ele acompanhava as buscas por dois familiares, desaparecidos desde o deslizamento.
“Meu sobrinho, de 21 anos, e a mãe dele, de 41. Ele chegou do serviço, deixou a mochila em casa e foi vê-la. Aí veio o desabamento”, conta.
Mesmo sem dormir e sem comer direito, Luiz Otávio mantinha o ritmo de trabalho nos escombros.
“Enquanto não achar todo mundo, não vou parar. Todo mundo aqui é família, amigo. Não tem como deixar ninguém para trás. É uma dor para todos", acrescenta.
Confira a reportagem sobre os trabalhos de resgate no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil
As chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira desde a última segunda-feira (23) provocaram uma sequência de deslizamentos, alagamentos e destruição em diferentes municípios. Segundo balanços preliminares, ao menos 30 mortes já foram registradas nos municípios de Juiz de Fora e Ubá.
O Rio Paraibuna transbordou, houve inundações e soterramentos. Bairros ficaram isolados e houve mais de 40 chamadas emergenciais por inundações e risco estrutural. A Defesa Civil estima 440 pessoas desabrigadas que já receberam acolhimento provisório. O governo federal reconheceu oficialmente o estado de calamidade em Juiz de Fora.




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